Inovação e controle de orçamento em um cenário de mudanças constantes
Seth Ravin, CEO Rimini Street

Seth Ravin, CEO da Rimini Street abriu o Street Smart 2026 com uma análise macroeconômica e tecnológica do cenário atual, destacando que o ERP tradicional deixou de ser apenas um sistema legado para se tornar, em muitos casos, um limitador estratégico. Em um contexto de mudanças regulatórias constantes, pressão por redução de custos e aceleração da inovação, a capacidade de adaptação passou a ser o principal diferencial competitivo.
Seth abriu com uma perspectiva ampla: o mundo está mudando, não desmoronando. O comércio global ainda acontece, mas com regras diferentes. Modelos de licenciamento por consumo, dados como nova moeda do mercado e a chegada da robótica ao chão de fábrica redefinem as bases da competição. Nesse cenário, a velocidade de execução e de adaptação passou a ser o principal diferencial de negócio.
“Os conselhos executivos querem tudo: Cloud, IA, transformação digital. Mas ao mesmo tempo cortam os orçamentos de TI. Com 9% do orçamento destinado à inovação, simplesmente não é possível fazer tudo o que o negócio exige. Precisamos de um modelo diferente.”
– Seth Ravin, CEO Rimini Street
O modelo que Seth propôs para romper esse paradoxo é o Rimini Smart Path: uma metodologia de três etapas (suportar, otimizar e inovar) que permite que a TI se autofinancie. Ao migrar o suporte de software para a Rimini Street, as empresas podem liberar os recursos antes consumidos em atualizações e migrações custosas e investi-los em inovação real.

O núcleo da proposta é o que a Rimini denomina ERP com Agentes de IA: uma camada de inteligência artificial posicionada sobre os sistemas existentes (SAP, Oracle ou qualquer outro ERP) que transforma um sistema de registro passivo em um sistema de ação autônoma. Agentes de IA passam a orquestrar processos, tomar decisões e executar tarefas sem necessidade de intervenção humana em cada etapa.
“Podemos economizar de 30% a 50% no custo total de execução dos processos com essa arquitetura. E isso sem trocar um único sistema. A inovação acontece em cima do que você já tem.”
– Seth Ravin, CEO Rimini Street
Seth também alertou para riscos pouco discutidos da Agentic AI, como custos variáveis de tokenização, ausência de governança e o risco de substituir custos previsíveis por despesas imprevisíveis se a adoção não for planejada de forma criteriosa.
Algumas organizações defendem a substituição de equipes humanas em prol da adoção tecnológica, mas podem acabar trocando um custo fixo com equipe por um custo flexível – e imprevisível – com a IA. Além disso, as empresas que distribuem acesso irrestrito à IA sem critérios acabam recompensando atividades em vez de resultados. O caminho correto é uma abordagem metódica: mapear processos, identificar onde a automação gera mais valor, construir templates de custo-benefício e pilotar em pequena escala antes de implementar em toda a organização.

E há um aspecto que vai além da economia: a segurança. Seth trouxe ao palco o conceito de ‘mythos’, ferramentas de IA capazes de identificar milhares de vulnerabilidades em softwares em minutos, algo que antes levaria anos. A conclusão é que a segurança baseada apenas em correção de código é insuficiente. O futuro está no virtual patching (controle de tráfego e bloqueio de vetores de ataque) e na governança rigorosa de agentes, tratados como funcionários eletrônicos que precisam de supervisão permanente.
A apresentação também alerta para uma nova realidade: a IA mudou radicalmente o cenário de segurança.
Ferramentas recentes conseguem:
- Encontrar milhares de vulnerabilidades em minutos
- Tornar inviável a segurança baseada apenas em correção de código
A única abordagem viável é:
- Segurança perimetral
- Virtual patching
- Governança rigorosa de agentes
- Monitoramento 24×7
Agentes precisam ser tratados como funcionários:
- Com permissões claras
- Controles de acesso
- Supervisão constante
- Capacidade de desligamento imediato se algo sair do controle

Case Ypê – Exemplo prático de Agentes de IA “over the top”
O case da Ypê é apresentado como um exemplo concreto e tangível de como essa abordagem funciona na prática.
O problema
A Ypê enfrentava dificuldades no processo de tratamento de exceções de pedidos EDI:
- Muitos pedidos ficavam “travados” no fluxo
- O processo exigia múltiplas etapas manuais
- A análise dependia de intervenção humana
- O tempo de resolução era alto (horas)
- Havia impacto direto em atendimento, faturamento e eficiência operacional
A abordagem
Em vez de alterar o ERP, foi implementada uma solução “sobre o sistema existente”, utilizando:
- ServiceNow como camada de workflow
- Componentes de IA agêntica para tomada de decisão
- Redesenho do processo antes da automação
O foco não foi “colocar IA em tudo”, mas:
- Reduzir o número de etapas
- Automatizar decisões recorrentes
- Eliminar análise manual desnecessária
- Permitir que o sistema identificasse a causa da exceção, tomasse ação e resolvesse o problema sozinho
O resultado
- Um processo que antes levava horas passou a ser resolvido em minutos (ou menos de um minuto)
- Redução drástica de esforço humano
- Aumento significativo de velocidade e confiabilidade
- Solução pontual, sem grandes projetos, sem migração de ERP
- Valor entregue rapidamente, com baixo risco
O case demonstra claramente o conceito de progresso incremental: resolver problemas reais do dia a dia, um por vez, com impacto mensurável.

Conclusões da sessão
- O ERP tende a se tornar um sistema de registro, não mais o centro da inovação
- A modernização viável passa por camadas de IA sobre sistemas existentes, não por grandes rupturas
- Governança, previsibilidade de custos e foco em valor de negócio são pré-requisitos para adoção de IA em escala
- Segurança: é o novo desafio no horizonte uma vez que a adoção de Agentes se amplia










