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Fórum Street Smart 2026

O ERP tradicional está morrendo
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Fórum Street Smart 2026
Fórum Street Smart 2026

O ERP tradicional está morrendo

Acelere a jornada de modernização com Agentes de IA

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Em 12 de maio de 2026, aconteceu o principal fórum da Rimini Street no Brasil: o Street Smart. O tema se baseou na premissa de que ‘o ERP tradicional da maneira que conhecemos está morrendo’.

O evento reuniu CEOs, CIOs e executivos de empresas como La Moda, Continental Parafusos e Eletronet, além de convidados externos como Lucas Brossi, sócio da Bain & Company, e Jorge Campos, fundador do SPED Brasil. Seth Ravin, CEO da Rimini Street, deu o tom da abertura: a modernização tecnológica não pode mais esperar pelo próximo grande projeto. Ela começa hoje, com o que cada empresa já tem.

O ERP tradicional está morrendo

Inovação e controle de orçamento em um cenário de mudanças constantes

Seth Ravin, CEO Rimini Street

Acesse a gravação

Seth Ravin, CEO da Rimini Street abriu o Street Smart 2026 com uma análise macroeconômica e tecnológica do cenário atual, destacando que o ERP tradicional deixou de ser apenas um sistema legado para se tornar, em muitos casos, um limitador estratégico. Em um contexto de mudanças regulatórias constantes, pressão por redução de custos e aceleração da inovação, a capacidade de adaptação passou a ser o principal diferencial competitivo.

Seth abriu com uma perspectiva ampla: o mundo está mudando, não desmoronando. O comércio global ainda acontece, mas com regras diferentes. Modelos de licenciamento por consumo, dados como nova moeda do mercado e a chegada da robótica ao chão de fábrica redefinem as bases da competição. Nesse cenário, a velocidade de execução e de adaptação passou a ser o principal diferencial de negócio.

“Os conselhos executivos querem tudo: Cloud, IA, transformação digital. Mas ao mesmo tempo cortam os orçamentos de TI. Com 9% do orçamento destinado à inovação, simplesmente não é possível fazer tudo o que o negócio exige. Precisamos de um modelo diferente.”
– Seth Ravin, CEO Rimini Street

O modelo que Seth propôs para romper esse paradoxo é o Rimini Smart Path: uma metodologia de três etapas (suportar, otimizar e inovar) que permite que a TI se autofinancie. Ao migrar o suporte de software para a Rimini Street, as empresas podem liberar os recursos antes consumidos em atualizações e migrações custosas e investi-los em inovação real.

O núcleo da proposta é o que a Rimini denomina ERP com Agentes de IA: uma camada de inteligência artificial posicionada sobre os sistemas existentes (SAP, Oracle ou qualquer outro ERP) que transforma um sistema de registro passivo em um sistema de ação autônoma. Agentes de IA passam a orquestrar processos, tomar decisões e executar tarefas sem necessidade de intervenção humana em cada etapa.

“Podemos economizar de 30% a 50% no custo total de execução dos processos com essa arquitetura. E isso sem trocar um único sistema. A inovação acontece em cima do que você já tem.”
– Seth Ravin, CEO Rimini Street

Seth também alertou para riscos pouco discutidos da Agentic AI, como custos variáveis de tokenização, ausência de governança e o risco de substituir custos previsíveis por despesas imprevisíveis se a adoção não for planejada de forma criteriosa.

Algumas organizações defendem a substituição de equipes humanas em prol da adoção tecnológica, mas podem acabar trocando um custo fixo com equipe por um custo flexível – e imprevisível – com a IA. Além disso, as empresas que distribuem acesso irrestrito à IA sem critérios acabam recompensando atividades em vez de resultados. O caminho correto é uma abordagem metódica: mapear processos, identificar onde a automação gera mais valor, construir templates de custo-benefício e pilotar em pequena escala antes de implementar em toda a organização.

E há um aspecto que vai além da economia: a segurança. Seth trouxe ao palco o conceito de ‘mythos’, ferramentas de IA capazes de identificar milhares de vulnerabilidades em softwares em minutos, algo que antes levaria anos. A conclusão é que a segurança baseada apenas em correção de código é insuficiente. O futuro está no virtual patching (controle de tráfego e bloqueio de vetores de ataque) e na governança rigorosa de agentes, tratados como funcionários eletrônicos que precisam de supervisão permanente.

A apresentação também alerta para uma nova realidade: a IA mudou radicalmente o cenário de segurança.

Ferramentas recentes conseguem:

  • Encontrar milhares de vulnerabilidades em minutos
  • Tornar inviável a segurança baseada apenas em correção de código

A única abordagem viável é:

  • Segurança perimetral
  • Virtual patching
  • Governança rigorosa de agentes
  • Monitoramento 24×7

Agentes precisam ser tratados como funcionários:

  • Com permissões claras
  • Controles de acesso
  • Supervisão constante
  • Capacidade de desligamento imediato se algo sair do controle

Case Ypê – Exemplo prático de Agentes de IA “over the top”

O case da Ypê é apresentado como um exemplo concreto e tangível de como essa abordagem funciona na prática.

O problema

A Ypê enfrentava dificuldades no processo de tratamento de exceções de pedidos EDI:

  • Muitos pedidos ficavam “travados” no fluxo
  • O processo exigia múltiplas etapas manuais
  • A análise dependia de intervenção humana
  • O tempo de resolução era alto (horas)
  • Havia impacto direto em atendimento, faturamento e eficiência operacional

A abordagem

Em vez de alterar o ERP, foi implementada uma solução “sobre o sistema existente”, utilizando:

  • ServiceNow como camada de workflow
  • Componentes de IA agêntica para tomada de decisão
  • Redesenho do processo antes da automação

O foco não foi “colocar IA em tudo”, mas:

  • Reduzir o número de etapas
  • Automatizar decisões recorrentes
  • Eliminar análise manual desnecessária
  • Permitir que o sistema identificasse a causa da exceção, tomasse ação e resolvesse o problema sozinho

O resultado

  • Um processo que antes levava horas passou a ser resolvido em minutos (ou menos de um minuto)
  • Redução drástica de esforço humano
  • Aumento significativo de velocidade e confiabilidade
  • Solução pontual, sem grandes projetos, sem migração de ERP
  • Valor entregue rapidamente, com baixo risco

O case demonstra claramente o conceito de progresso incremental: resolver problemas reais do dia a dia, um por vez, com impacto mensurável.



Conclusões da sessão

  • O ERP tende a se tornar um sistema de registro, não mais o centro da inovação
  • A modernização viável passa por camadas de IA sobre sistemas existentes, não por grandes rupturas
  • Governança, previsibilidade de custos e foco em valor de negócio são pré-requisitos para adoção de IA em escala
  • Segurança: é o novo desafio no horizonte uma vez que a adoção de Agentes se amplia

A aliança CEO-CTO na Era da IA

Lucas Brossi, Partner Bain & Company

Confira a apresentação

Lucas Brossi apresentou a IA como uma mudança de plataforma com importantes implicações estratégicas. Nessa visão, adotar IA é mais do que adotar apenas uma nova tecnologia, e envolve também repensar processos, modelo operacional, talentos e estratégia de negócios. O desafio central para as organizações não é iniciar pilotos, mas escalar iniciativas que entreguem impacto mensurável e vantagem competitiva. 

A IA moderna não deve ser entendida como uma capacidade única, mas como a combinação de quatro alavancas complementares:

  • Automação, para ampliar escala e confiabilidade
  • Machine Learning, para aumentar previsibilidade e otimização 
  • IA generativa, para viabilizar interação e análise de informação não estruturada 
  • Agentic AI, para executar processos e tomar decisões com autonomia 

Quando combinadas, essas capacidades permitem simplificar operações, acelerar ciclos de decisão e elevar a produtividade. Mais do que automatizar tarefas, elas permitem redesenhar processos de ponta a ponta e capturar ganhos estruturais de performance. 

Ao longo da apresentação, Lucas destacou três vias de geração de valor com IA: 

  • Redução de custos operacionais 
  • Aumento da efetividade da linha de frente 
  • Criação de novos modelos de negócio 

Sob a ótica de transformar o negócio a partir de AI, o ponto de partida deve ser sempre o valor. Isso exige definir com clareza o problema de negócio, os indicadores e os processos com maior potencial de impacto. 

“Todo mundo tem um piloto. Poucas empresas estão fazendo isso em escala. Quem conseguir tirar de 20% a 30% do custo de operação com IA vai estar, em um ou dois anos, passos à frente dos concorrentes. E isso vira vantagem competitiva difícil de reverter.”
– Lucas Brossi, Partner, Bain & Company

Um dos exemplos mais ilustrativos foi o de uma operação bancária, na qual um agente de IA passou a conduzir a cobrança de clientes inadimplentes. Contra a expectativa inicial, a solução alcançou taxa de recuperação superior à dos atendentes humanos, com custo equivalente a um terço da operação. A principal implicação é clara: a discussão sobre IA não se limita a produtividade e redução de custos, mas inclui ganhos de eficiência e eficácia. 

Para capturar esse potencial, Lucas reforçou a importância de mapear processos com clareza, definindo onde a IA pode atuar, onde a supervisão humana continua necessária e onde o fator humano permanece insubstituível. Esse diagnóstico permite construir um roadmap com estimativas de ROI por etapa. 

Outro caso apresentado envolveu a área financeira de uma empresa industrial. Agentes de IA foram utilizados para entrevistar equipes, mapear fluxos e identificar oportunidades. O diagnóstico apontou potencial de redução de aproximadamente 30% nos custos, combinando redesenho de processos, melhor uso do ERP e automação com IA. Também foi identificado um gargalo em contas a pagar que, se eliminado, financiaria o projeto no primeiro ano. 

Os casos apresentados reforçam uma mensagem central: ao redesenhar processos de ponta a ponta com IA, as organizações conseguem eliminar gargalos, reduzir retrabalho e elevar produtividade e qualidade. É esse movimento — sair de iniciativas fragmentadas para uma transformação orientada a valor — que diferencia adoção pontual de AI de uma transformação de negócios impulsionada por AI. 

Lucas encerrou com visão de futuro em que as organizações passam a conviver com quatro arquétipos: 

  • Humano puro 
  • Humano assistido por IA 
  • IA assistida por humano 
  • IA 100% autônoma 

Processos transacionais de “run–the-business” tendem a alcançar níveis crescentes de automação, enquanto o “change–the-business” — onde se concentram criatividade, julgamento e estratégia — seguirá majoritariamente humano, porém amplificado por IA. 

Conclusões da sessão

  • IA deve ser tratada como alavanca de transformação empresarial
  • O ponto de partida deve ser o valor: problema de negócio, indicadores e ROI
  • Escalar IA requer redesenho completo de processos, e não apenas casos de uso pontuais
  • Alinhamento entre CEO, CTO e lideranças de negócio é condição crítica para capturar impacto em escala
  • A agenda de IA pode entregar de forma combinada produtividade, redução de custos, qualidade e crescimento de receita 

Business Outcomes na Era dos Agentes de IA

Edenize Maron, GVP & Regional GM, LATAM, Rimini Street
Fernando Martins, CEO Continental Parafusos
Lucas Brossi, Partner Bain & Company
Rogerio Garchet, CEO Eletronet

Assista ao painel

O painel de CEOs foi um dos momentos mais interessantes do evento. Edenize Maron, da Rimini Street, mediou uma conversa que trouxe à tona as tensões reais entre governança, inovação e pressão por resultados sob a perspectiva de quem está no comando das empresas.

Continental Parafusos: governança sólida, pragmatismo brasileiro

Fernando Martins, CEO da Continental Parafusos (empresa familiar em sua terceira geração e fornecedora Tier 1 para as indústrias automobilística e de eletrodomésticos), apresentou uma trajetória de quase 20 anos com SAP e oito com a Rimini Street. Sua filosofia é consistente: menos é mais e reforçou a importância de estabilidade e controle sobre o core tecnológico:

“Compramos a licença perpétua do SAP porque adoramos o sistema. É nosso. E se é nosso, não queremos ficar trocando. Queremos usar bem o que temos e agregar, passo a passo, o que faz sentido para o nosso negócio, sem estressar o time e sem quebrar as nossas regras de ouro.”
– Fernando Martins, CEO, Continental Parafusos

Fernando não esconde ceticismo em relação à migração para a nuvem, pelo menos para o núcleo do negócio. Depois de um estudo detalhado de viabilidade, a conclusão foi que os servidores internos da empresa, com vida útil estendida de 7 a 8 para quase 15 anos, ainda não justificam a mudança. A empresa adota nuvem onde faz sentido, como o Microsoft 365, e mantém o core on-premise. A parceria com a Rimini Street e a ServiceNow avança agora para uma nova etapa: implementação de ordens de manutenção via ServiceNow e criação de uma camada de governança com IA sobre o SAP existente, com dados de manufatura integrados para análise e tomada de decisão.

Eletronet: de zero a 100 em governança tecnológica

Rogerio Garchet, CEO da Eletronet (empresa de transmissão de fibra ótica em torres de alta tensão presente em 23 estados do Brasil), chegou há pouco mais de um ano a uma empresa com um desafio peculiar: usava SAP como ERP, mas o processo de vendas era totalmente manual após o fechamento do pedido. E não sabia que o módulo MM do SAP, disponível para controle de estoque, nunca havia sido instalado mais de uma década depois da implantação do sistema. Líderes servem para deixar as pessoas desconfortáveis. Partindo disso, entendemos que a otimização do software, da tecnologia é um processo constante de questionamento de investimento. Lucas reforçou que como consultor existem muitas empresas que tem baixo retorno sobre os investimentos. O C-Level se distanciou muito dos workflows e a AI é a oportunidade de revisar estes processos e ganhar eficiência. A empresa não sabe usar o que ela paga. As empresas não documentam os processos, a síndrome da Gabriela: eu nasci assim, cresci assim e será sempre assim. Por isso questiono a inovação e a IA, porque o desafio constante do C-Level é de provocação.

“Pela primeira vez na vida eu vi um fornecedor entregar no prazo. Eu não acreditava. Na primeira semana, fui acompanhar a reunião com a Rimini. Na segunda o projeto foi entregue no prazo apesar de minha ausência de convicção.”
– Rogerio Garchet, CEO, Eletronet

Garchet e Fernando Martins convergiram com Lucas Brossi em um ponto central: antes de falar em IA, é preciso conhecer e documentar os próprios processos. A Eletronet descobriu em reunião que um engenheiro preenchia 30 páginas de Word para desenhar um projeto. E ninguém sabia ao certo quantas dessas páginas eram realmente lidas pela equipe. A empresa já dá seus primeiros passos em IA com um software de recrutamento baseado em agentes e com o desenvolvimento de soluções para monitoramento preditivo de falhas na rede de fibra óptica.

Corrigir o processo, automatizar e depois sim usar a IA. Mas se o processo estiver torto, IA não vai resolver.

Conclusões da sessão

  • Governança sólida e envolvimento do C Level aceleram resultados
  • Conhecer profundamente os próprios processos é pré requisito para falar de IA
  • Pragmatismo supera modismos tecnológicos

O Impacto da nova arquitetura com IA no suporte e manutenção dos sistemas

Helio Matsumoto, CTO LATAM Rimini Street

Assista à gravação

Helio Matsumoto, CTO LATAM da Rimini Street, conduziu a apresentação técnica mais detalhada do evento. Sua análise partiu de uma pesquisa realizada com CIOs ao longo do ano: as principais preocupações são a incerteza sobre o destino do ERP no longo prazo, a dependência excessiva de fornecedores e o ciclo sem fim de migrações forçadas, justificadas não por valor de negócio, mas pelo terror do fim do suporte.
Metas de TI entre os executivos de alto escalão enfatizam ações táticas, como:

  • 38% dos executivos planejam se concentrar em uma estratégia de ERP de longo prazo
  • Entre os riscos: 38% dos executivos citam a dependência de fornecedores com flexibilidade limitada
  • 34% citam atualizações e migrações forçadas como algumas das pressões mais frustrantes causadas por fornecedores de software
  • 42% dos CIOs e 39% dos CEOs afirmam que o aumento da automação e a adoção da IA são imperativos de negócios fundamentais
  • 40% citam foco na IA e automação e 38% desenvolvimento de talentos e habilidades
  • Otimização e redução de custos (40%), visando um futuro otimista, estratégico e resiliente

Helio apresentou uma análise técnica sobre o futuro do ERP, destacando que o modelo “one system runs all” deixou de ser viável em ambientes complexos e distribuídos. O conceito de Headless ERP foi apresentado como resposta a esse cenário.

Para ele, o ERP atual tem cinco características que o tornaram um problema estrutural: excessivamente complexo, pesado, com interface desatualizada, reativo às mudanças do negócio e com backlog infinito. O conceito que guiou os anos 1990 (One System Runs All) não funciona mais em um mundo onde dados estão espalhados por dezenas de sistemas especializados.

“O ERP vai se tornar cada vez mais invisível. Ele vira um sistema de registro, confiável e robusto, mas não é mais onde as pessoas interagem. A interface do futuro é uma camada de IA, não uma tela de transação SAP.”
– Helio Matsumoto, CTO LATAM, Rimini Street

O Headless ERP, opera em segundo plano enquanto uma camada de experiência (UX), construída por uma empresa como a ServiceNow, com agentes de IA, passa a ser o ponto de contato entre o usuário e o negócio. Em vez de alternar entre múltiplos sistemas durante o dia, um gerente de warehouse vê um painel único com indicadores, recomendações da IA e ações executáveis com poucos cliques.

O case da marca Melitta ilustrou o potencial de forma concreta: a empresa tinha um processo de criação de SKU que consumia duas semanas, fragmentado entre planilhas, uploads manuais e validações em sistemas diferentes. Com um agente de IA sobre o processo existente, o tempo caiu para quatro dias, sem trocar o SAP e sem migração, apenas com uma camada inteligente sobre o sistema que já existia.

Helio demonstrou ainda o modelo econômico de self-funding da Rimini. Com base em um cliente real, mostrou que a decisão de manter o ECC com suporte da Rimini, em vez de migrar para o S/4HANA, gerava uma economia superior a R$ 35 milhões em cinco anos e ainda disponibiliza R$ 7,9 milhões para projetos de inovação, incluindo licenciamento da ServiceNow e horas de desenvolvimento de agentes de IA. A operação, basicamente, se paga sozinha.

Conclusões da sessão

  • A inovação acontece nas bordas, não no núcleo do ERP
  • Modelos de self funding tornam a modernização financeiramente sustentável
  • IA aplicada com foco em processo gera ganhos rápidos e mensuráveis

Painel Agentic AI ERP: um case real

Rômulo Banhe, Head de Tecnologia La Moda
Helio Matsumoto, CTO LATAM Rimini Street
Daniel Teran, Director, Innovation Center of Excellence Rimini Street

Assista ao painel

O painel trouxe a discussão para o chão de fábrica. Rômulo Banhe, Head de Tecnologia da La Moda (grupo responsável por marcas como Lança Perfume e MAY), compartilhou em detalhe a jornada da empresa em direção ao modelo de Composable ERP, mediada por Helio Matsumoto e participação de Daniel Teran Duarte, Diretor do Innovation Center of Excellence da Rimini Street, apresentando a perspectiva técnica da entrega.

A La Moda é uma empresa essencialmente dinâmica, uma vez que o setor de moda exige velocidade acima de qualquer coisa. Novos canais de venda surgem quase da noite para o dia (como é o caso do TikTok Shop), e a TI precisa responder em dias, não em meses. O SAP permanece como sistema de registro, mas passou a ser tratado como um ‘ERP de compliance’: estável, confiável, mas deliberadamente isolado do processo de inovação.

“Precisamos garantir a estabilidade do ambiente atual primeiro. A Rimini já está com a gente desde 2018. Passamos por toda a parte de reforma tributária com tranquilidade, todos os pacotes entregues. Agora estamos criando camadas de diferenciação e inovação em torno do núcleo.”
– Rômulo Banhe, Head de Tecnologia, La Moda

A POC apresentada no painel envolveu um processo de inspeção de qualidade que consumia entre 12 e 15 horas por ciclo, com alto grau de manualidade. A solução desenvolvida pela Rimini Street, em parceria com a ServiceNow, e construída em menos de 45 dias, combinou dois agentes de IA com uma interface low-code e integração direta com os dados existentes. O resultado foi que o processo passou de 15 horas para 5 horas, uma redução de 67%. Como o volume diário de inspeções é elevado, o impacto acumulado na produção é expressivo.

“A gente fez o mesmo processo antes, internamente, sem a Rimini. Levamos seis meses e ainda não estava completo. A Rimini entregou em menos de dois meses e replicou o processo com funcionalidade em mobile, que era exatamente o que precisávamos.”
– Rômulo Banhe, Head de Tecnologia, La Moda

Daniel Teran Duarte explicou a lógica por trás da entrega: o ponto de partida não é a tecnologia, é a dor do negócio. A equipe da Rimini Street mapeou o processo de forma autônoma, sem que o cliente precisasse detalhar cada etapa, identificou onde a IA geraria mais valor e redesenhou o fluxo de ponta a ponta, eliminando handoffs desnecessários e simplificando etapas antes de automatizá-las.

“Não automatizamos as 12 etapas do processo original. Simplificamos primeiro, depois aplicamos IA onde realmente gerava valor. O resultado não é só tecnologia, é um processo melhor. E esse caso de uso sozinho já pagou a licença anual da ServiceNow.”
– Daniel Teran, Diretor do Innovation Center of Excellence, Rimini Street

Rômulo encerrou com uma visão de futuro que resume bem o espírito do evento: a prioridade não é adotar IA em tudo, mas identificar os casos de uso que de fato movem o ponteiro do negócio. Existe uma pressão enorme no C-Level para adotar IA, mas é preciso criar governança para definir qual problema resolver, com qual tecnologia e com qual custo. Há diversas formas de resolver o mesmo problema, mas nem todas fazem sentido financeiramente.

Reforma Tributária: seus impactos em sistemas e custos

Eduardo Borba, GVP GCC Rimini Street
Jorge Campos, Founder SPED Brasil

Acesse a gravação

O painel sobre Reforma Tributária foi conduzido por Eduardo Borba, GVP do Centro de Capacidades Globais (GCC) da Rimini Street Brasil, em conversa com Jorge Campos, fundador do SPED Brasil (uma das maiores referências do país em legislação fiscal e escrituração digital). A troca foi direta, técnica e cheia de alertas práticos para quem ainda não se preparou adequadamente.

O painel trouxe uma visão prática sobre os impactos da reforma tributária, alertando para a complexidade operacional do novo modelo e a necessidade de preparação antecipada.

Eduardo contextualizou o momento: em 2025 foram entregues as primeiras soluções sistêmicas exigidas pela reforma. Em 2026, as empresas já trabalham nas implementações que entrarão em vigor em 2027. E a jornada seguirá até 2033, quando o período de transição se encerra. A Rimini Street mantém um calendário mensal de webinars com todos os clientes, apresentando o que está sendo entregue, release por release, plataforma por plataforma, tanto para SAP quanto para Oracle EBS.

A apuração assistida e a guerra pelos créditos

Jorge Campos abriu sua fala com um alerta sobre a apuração assistida de ABS e CBS. Ao contrário do que muitas empresas esperavam, o fisco não vai gerar uma apuração diária pronta para uso. O que será disponibilizado é um extrato diário de operações, uma linha da razão por documento fiscal. Cabe à empresa consolidar, conciliar e gerar a apuração efetiva.

“Aconselho a conferir e não acreditar cegamente no que o fisco faz. A apuração assistida vai exigir um processo robusto de conciliação dentro das empresas, e quem não tiver isso estruturado vai perder créditos.”
– Jorge Campos, Founder SPED Brasil

Jorge também chamou atenção para as implicações do novo modelo de apuração unificada: empresas com mil filiais que hoje fazem mil apurações separadas passaram a fazer uma única apuração consolidada. Parece simplificação (e é), mas exige visão centralizada de compras, gestão de créditos e uma estrutura de dados que a maioria das empresas ainda não tem.

Split payment: o modelo que divide opiniões

Um dos temas mais debatidos foi o split payment, o mecanismo pelo qual, a cada pagamento, o valor do imposto é recolhido diretamente ao fisco, separado do valor da mercadoria. Jorge foi enfático ao dizer que o modelo faz sentido no e-commerce, em que os pagamentos são à vista. No B2B, com faturamento a cada 30, 60 ou 90 dias, a lógica é questionável.

“Split payment existe na América Latina há 10 anos. Peru, Chile e México já passaram por isso. O problema no B2B é que você vai tirar dinheiro do caixa para pagar imposto sobre uma venda que ainda não recebeu. Esse modelo precisa ser analisado com muito cuidado no cenário de cada empresa.”
– Jorge Campos, Founder SPED Brasil

Outro ponto de alerta: a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal para todos os tipos de faturamento autônomo, incluindo MEI, EPP e empresas do Simples Nacional, deverá gerar um acréscimo estimado de 100 milhões de novos CNPJs no Brasil. Surge, então, a necessidade do CNPJ alfanumérico, que coexistirá com o modelo atual.

IA como ferramenta estratégica, não pontual

Jorge encerrou com um caso que ilustra o erro mais comum na adoção de IA para o ambiente fiscal: uma empresa contratou uma solução pontual para geração do SPED fiscal em 1.680 filiais. O processo caiu de oito dias com oito pessoas para oito horas com servidores em paralelo. No mês seguinte, a TI considerou o produto ocioso e caro, pois só era usado uma vez por mês. O problema não era a IA, mas a falta de uma arquitetura que integrasse outros processos ao redor daquela capacidade.

“Quando você vai para um cenário de IA aplicada ao fiscal, é fundamental trazer outras áreas com atividades similares para custear e escalar a solução. Senão, a área fiscal continua sendo vista como custo e a IA como desperdício.”
– Jorge Campos, Founder SPED Brasil

O caminho é o Smart Path – e ele começa agora

A transformação tecnológica não é uma escolha entre inovar ou estabilizar, entre moderno ou legado. É uma jornada disciplinada de autofinanciamento, mapeamento de processos e implantação incremental de inteligência.

Seth Ravin resumiu esta mensagem ao encerrar sua participação: a Rimini Street tem hoje um catálogo de mais de 20 soluções com agentes de IA prontas para rodar sobre SAP, Oracle ou qualquer ERP – cada uma resolvendo um problema de negócio, entregue em semanas, dentro do budget atual. Não é ciência avançada. São decisões simples, bem priorizadas, com foco no que realmente move o ponteiro.

Mensagem Final

O Street Smart 2026 consolidou uma visão clara: a transformação tecnológica não é uma escolha entre inovar ou estabilizar, mas uma jornada disciplinada de decisões incrementais, bem fundamentadas e orientadas a resultados.

“A Agentic Era não começa com uma grande migração. Começa com uma decisão pequena, bem priorizada e com o parceiro certo.”
— Seth Ravin, CEO Rimini Street

 

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