Nos últimos meses, o mercado de hypervisors passou por uma ruptura que poucos CIOs anteciparam. As mudanças promovidas pela Broadcom após a aquisição da VMware (especialmente o fim das licenças perpétuas, a reestruturação do portfólio e a migração forçada para modelos de assinatura) criaram um choque imediato e profundo na estratégia de TI das organizações.
Não se trata apenas de aumento de custos. O episódio expôs uma fragilidade estrutural que vinha sendo ignorada: muitas empresas dependiam mais das decisões comerciais do fabricante do que da própria tecnologia que utilizam todos os dias. Em outras palavras, o risco não estava no hypervisor em si, mas no modelo de relacionamento que o sustentava. Esse “despertar tardio” deu início ao que podemos chamar de pós-ordem VMware: um momento em que clientes, antes confortáveis com seus ambientes maduros e estáveis, agora buscam recuperar controle, previsibilidade e autonomia.
Quando a casa quitada vira aluguel
Entre os efeitos mais sentidos está o abandono definitivo das licenças perpétuas. Empresas que investiram durante anos em ambientes robustos e bem operados viram-se subitamente pressionadas a migrar para modelos de assinatura, muitas vezes sem relação direta com suas necessidades técnicas reais. Muitas empresas pequenas e médias foram forçadas a assinar pacotes mínimos que eram muito maiores do que a sua real necessidade. A metáfora usada por executivos da Rimini Street resume com precisão o sentimento do mercado: “É como entregar as chaves de uma casa quitada para, de repente, passar a pagar aluguel por ela”.
Os dados reforçam esse cenário. Segundo a pesquisa “Insights e Estratégias sobre VMware: Navegando no Mercado Evolutivo de Hypervisors”, conduzida com mais de 110 clientes da VMware, 79% afirmam que suas licenças perpétuas atendem plenamente às necessidades atuais do negócio, e 99% permaneceriam com o software atual se pudessem contar com suporte independente.
Ou seja: o problema não é técnico; é de modelo. A insatisfação não está no hypervisor, está na imprevisibilidade do fornecedor.
A descoberta incômoda: dependência excessiva e risco concentrado
A mudança repentina na estratégia comercial da VMware expôs, de forma abrupta, uma dependência que os CIOs sempre souberam que existia, mas nunca tiveram incentivos claros para enfrentar. Virtualização é um pilar crítico da operação, e alterar a plataforma envolve riscos operacionais, custos altos de migração, requalificação de equipes e longas janelas de transição.
Por isso, historicamente, clientes permaneceram em versões estáveis, atualizando apenas quando necessário. Foi exatamente essa confiança na estabilidade que se tornou fonte de vulnerabilidade.
A adoção forçada de novos modelos, acompanhada por aumentos significativos de preço, eliminação de opções de produto e reestruturação do portfólio, mostrou que o risco real estava em perder o controle sobre o seu próprio roadmap.
Não por acaso, 92% dos entrevistados da pesquisa citada anteriormente esperam novos aumentos de preço da VMware nos próximos 12 a 18 meses. A percepção dominante é de que continuar dependendo exclusivamente do fornecedor significa assumir riscos crescentes e imprevisíveis.
O movimento de resistência silenciosa
Diante dessa situação, empresas passaram a adotar uma estratégia pragmática: estender ao máximo a vida útil de seus ambientes VMware já pagos, enquanto avaliam alternativas com calma, segurança e previsibilidade.
A pesquisa, mais uma vez, confirmou essa tendência:
- 98% já estão usando, planejam usar ou consideram alternativas para pelo menos uma parte do ambiente;
- 96% enxergam valor em serviços de roadmap para comparar opções.
Esse comportamento não é apenas reação. É sinal de maturidade. O mercado entendeu que, antes de migrar, é preciso reconquistar autonomia e blindar-se contra decisões externas que impactam diretamente no custo, risco e operação.
Suporte independente como ferramenta estratégica
É neste ponto que o suporte independente deixou de ser apenas uma alternativa de redução de custos e passou a representar uma estratégia de resiliência. Ao permitir que empresas continuem utilizando suas licenças perpétuas com suporte completo, SLAs rigorosos e camadas adicionais de segurança, esse modelo devolve ao CIO aquilo que foi retirado pelo mercado: controle.
Além disso, soluções disponíveis no mercado agregam segurança avançada ao hypervisor, protegendo ambientes que continuam operando versões consolidadas sem exigir migrações dispendiosas. A combinação entre estabilidade operacional, previsibilidade financeira e segurança proativa permite que as empresas ganhem tempo, um recurso essencial em momentos de turbulência.
O que vem agora
A pós-ordem VMware não é uma fase passageira. Ela inaugura um novo ciclo no mercado de virtualização, em que:
- lock-in se tornou um risco estratégico;
- previsibilidade é tão importante quanto performance;
- decisões comerciais dos fornecedores podem ter impacto maior do que decisões técnicas.
Para muitas organizações, retomar o controle significa permanecer onde estão (mas em seus próprios termos). Significa proteger o investimento já feito, garantir segurança e estabilidade, e só então avaliar o futuro com autonomia.
Na grande maioria dos mercados, a tecnologia continua a ser uma grande aliada. Mas o verdadeiro diferencial competitivo, agora, está em não abrir mão das chaves da “casa quitada”.
